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Alguns registros de sentimentos e impressões do que vejo por aí. De tudo um pouco: arte, política, educação, esporte, cultura, economia, cidadania, religião. Fique a vontade. A casa é sua.
:: Atualizado quase que Diariamente ::
terça-feira, 16 de novembro de 2010
Lembrete
"Ama-se para não esquecer.
O que mais desejamos é que alguém nos guarde."
O que mais desejamos é que alguém nos guarde."
(Liberdade na vida é ter um amor para se prender)
- Fabrício Carpinejar -
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quinta-feira, 11 de novembro de 2010
CCJ do Senado aprova PEC da Felicidade
Felicidade: dá uma boa discussão.
Inicio o post com uma matéria que saiu nos jornais hj sobre a alteração do texto de lei da Constituição Federal de 1988. Sigo com um texto sobre "o que é ser feliz" e termino com uma música do Ivan Lins. O post ficou grande, mas interessante. Espero que gostem.
(Pensei imediatamene neste filme, quando vi esta noticia hoje...)
CCJ do Senado aprova PEC da Felicidade
(Publicada em O Globo 10/11/2010)
BRASÍLIA - A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado aprovou nesta quarta-feira, em votação simbólica, a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) do senador Cristóvam Buarque (PDT-DF) que inclui o direito à busca da felicidade entre os direitos sociais e constitucionais dos brasileiros, cabendo ao Estado garantir condições para o exercício desse direito.
A matéria segue, agora, para plenário, onde precisará ser votada em dois turnos, com aprovação de três quintos dos senadores.
"São direitos sociais essenciais à busca da felicidade, a educação, a saúde, o trabalho, a moradia, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados, na forma desta Constituição", diz o texto da proposta, que propõe nova redação ao artigo 6º da Constituição Federal.
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O que é ser feliz?
(por Monica Aiub)*
"A felicidade consiste em ser o que se é", afirmava Erasmo de Rotterdam no Elogio da Loucura".
... a felicidade é algo final e autosuficiente, é o fim a que visam as ações" Aristóteles.
Desde a Antiguidade, muitos filósofos consideraram a felicidade como o fim último da vida humana. Muitos foram os tratados sobre o que é a felicidade, sobre os caminhos para encontrá-la. Somos felizes? Em que consiste a felicidade?
Aristóteles inicia o livro I da Ética a Nicômacos discorrendo sobre a finalidade das ações que praticamos: "Se há, então, para as ações que praticamos, alguma finalidade que desejamos por si mesma, sendo tudo mais desejado por causa dela, e se não escolhemos tudo por causa de algo mais, evidentemente tal finalidade deve ser o bem e o melhor dos bens. Não terá então uma grande influência sobre a vida o conhecimento deste bem?"(cap. 2).
Epicuro, na Carta sobre a Felicidade, afirma que "o prazer é o início e o fim de uma vida feliz", mas faz uma ressalva:
"Quando dizemos que o fim último é o prazer, não nos referimos aos prazeres dos intemperantes ou aos que consistem no gozo dos sentidos, como acreditam certas pessoas que ignoram nosso pensamento, ou não concordam com ele, ou o interpretam erroneamente, mas ao prazer que é a ausência de sofrimentos e de perturbações da alma. Não são, pois, bebidas nem banquetes contínuos, nem a posse de mulheres e rapazes, nem o sabor dos peixes ou das outras iguarias de uma mesa farta que tornam doce uma vida, mas um exame cuidadoso que investigue as causas de toda escolha e de toda rejeição e que remova as opiniões falsas em virtude das quais uma imensa perturbação toma conta dos espíritos" (Epicuro, 2002: 44-45).
Ser feliz é, muitas vezes, uma ideia associada a modelos previamente estabelecidos por nossa sociedade: o consumo desenfreado, a posse de objetos, dinheiro, fama, poder, status e o consumo de drogas lícitas ou ilícitas Se observarmos nossos modos de vida hoje, veremos o quanto investimos na busca da felicidade, na ausência do sofrimento, na anestesia para as dores da existência. Ser feliz é, muitas vezes, uma ideia associada a modelos previamente estabelecidos por nossa sociedade: o consumo desenfreado, a posse de objetos, dinheiro, fama, poder, status. Quanto mais temos, mais tememos perder. Quanto menos temos, mais infelizes parecemos ser diante desse modelo.
Necessitamos atingir os parâmetros estipulados por um modelo econômico/social? Nossa felicidade se resume a quanto podemos gastar? E quando não temos recursos para gastar? E quando gastamos muito e, ainda assim, não atingimos o que considerávamos ser um estado de felicidade?
Há uma forte tendência atual a buscar a felicidade em drogas ou medicamentos. Anestesias para os problemas da existência, felicidade artificial, encontrada em drogas lícitas ou ilícitas. Necessitamos desses recursos? Se minha infelicidade é fruto de um problema que não resolvi, uma droga que provoque um estado de torpor, ou de felicidade artificial resolverá o problema?
Este é o movimento de muitas pessoas hoje. Buscam entorpecer-se para esquecer o que lhes traz sofrimento, o que lhes perturba a existência. Com isso, deixam ao lado os problemas, que ali permanecem, exigindo doses das drogas ou dos medicamentos cada vez maiores, somente assim conseguem não enxergar o que lhes perturba. Quando as dores se tornam insuportáveis, uma opção, muitas vezes, é desistir. Assumir o fracasso da existência e esperar, com a derrota, a morte. Das muitas formas de morte, aquela que faz os dias parecerem sem fim, aquela que nos impede de ser o que somos, a morte em vida, é extremamente dolorosa. Então, mais alguns medicamentos para suportar a espera do fim. É preciso viver desta maneira? Alguém opta, livremente, por esta forma de existência?
Poderia ser um caminho mais adequado buscar formas para solucionar as questões que nos incomodam, ainda que isso implique em algum transtorno, em um pouco de sofrimento, em algumas dores? Talvez seja dolorido afastar os erros, os enganos, as falsas opiniões. Talvez seja triste descobrir que algumas coisas não são como pensávamos que fossem. Mais triste talvez seja perceber que o que escolhemos como caminho não é bem como imaginávamos ser. O que fazer diante de situações dessa natureza? Como produzir vida em nós?
Há quem não queira ser feliz? Lembro de Elizandra, uma moça que atendi que se revoltava toda vez que alguém perguntava a ela se fazia terapia porque buscava a felicidade. Elizandra não queria, e não quer ser feliz. Ser feliz, diz ela, numa sociedade como a nossa, em que se morre de fome e de miséria, em que se vê a violência a toda hora, em cada esquina, é ser alienado. Eu não quero ser alienada. Prefiro morrer a ser feliz dessa maneira. Minha infelicidade me faz buscar, incessantemente, formas de transformar a sociedade. Elizandra envolve-se constantemente em ações sociais, tentando encontrar formas de transformar o quadro de violência e miséria em que vivemos. Assim ela se sente bem, mas não feliz, pois, para ela, se estivesse feliz, não precisaria mais buscar.
Seria Elizandra louca por não querer a felicidade? Ou seria doentio o modo de ser que encontra felicidade gastando no shopping? Como distinguir entre uma "loucura" a ser contida ou uma inquietação criativa, necessária à construção da pessoa? Até que ponto a busca por "restabelecer a normalidade" não é um impedimento, um entrave à construção de um modo de ser singular? Poderia um tratamento que pretende "restabelecer a normalidade" transformar-se em um processo de alienação, acomodando as inquietações e adaptando a pessoa a um modo de ser construído socialmente? Até que ponto esse modo de ser é saudável?
"A felicidade consiste em ser o que se é", afirmava Erasmo de Rotterdam no Elogio da Loucura. Conhecer e respeitar aquilo que somos, as nossas necessidades, encontrar modos para exercer o que somos, pode ser um caminho saudável para a existência. Distante de padrões estipulados socialmente, longe da hipocrisia social que exige a anulação do que se é, como forma de ser, podemos valorizar tudo o que produz vida em nós.
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A Gente Merece Ser Feliz
(Ivan Lins)
Tudo que eu fiz
Foi ouvir o que o meu peito diz:
"Que apesar de tanta magoa
Vale a pena toda luta
Para ser feliz"
Tudo que eu fiz foi seguir a mesma diretriz
Confiando e acreditando
Que na vida todo mundo pode ser feliz
É preciso crer no coração
Porque se não
Não tem razão de se viver
E eu quero ver
Nascer um tempo bom
Meu peito diz:
"Coracao da gente é igual país"
Não deu certo uma mudanca, você muda de esperança
Porque a gente merece ser feliz
Porque a gente merece ser feliz
Porque a gente merece ser feliz
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E pra vc, o que é felicidade? Tem a ver com a descrita na Constituição? (educação, saúde, trabalho, moradia, lazer, segurança, previdência social, proteção à maternidade e à infância, assistência aos desamparados).
E isto quer dizer que uma vez conquistadas tais coisas chega-se ao estado pleno de "ser feliz"?
Entendo felicidade como um horizonte flutuante. Vivemos à busca, mas se encontramos perdemos o motivo de viver. Penso que seja a tal motivação que nos faz acordar todos os dias. Isto quer dizer que se o Estado cumprir com o que está garantindo em lei, morreremos no dia seguinte? O que faremos depois? Para onde iremos e em busca do quê? Ou será que o Estado para nos "proteger" e garantir a vida, não nos suprirá em tais necessidades? A mente deste Cristovam Buarque é um mistério.
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*Monica Aiub: Filósofa Clínica. Mestre em Filosofia da Mente (UFSCAR-SP). Professora Titular do curso de Especialização em Filosofia Clínica do Instituto Packter. Autora dos livros: Filosofia Clínica e Educação (WAK, 2005); Para Entender Filosofia Clínica (WAK, 2004); Sensorial & Abstrato: como avaliá-lo em Filosofia Clínica (APAFIC, 2000).
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domingo, 7 de novembro de 2010
Meus Versinhos 7
Diariamente
(Monique Desiderio)
Todos os dias eles estão lá.
Todos os dias.
Eu os vejo, mas penso que seria melhor não notá-los.
E finjo não ver.
Enquanto me guardo no cinismo de quem não se importa.
O pior é que me importo.
E fodam-se as políticas públicas,
De um governo que merecia tomar no cú de hora em hora.
E fodam-se os carmas, destinos e predestinações.
A fome bate hoje.
O frio, a sede e o abandono também.
Não esperam a próxima vida.
Cheiram mal. Todos.
Eles, por falta de banho, sabonete, casa.
Ferida social necrosada (pena não poder amputar!)
A África é aqui!
Todos os dias eles estão lá.
Todos os dias.
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sexta-feira, 5 de novembro de 2010
Como Criar Um Deliquente
Como Criar Um Deliquente
(Autor Desconhecido)
1- Comece na infância a dar ao seu filho tudo o que ele quiser, assim quando ele crescer ele acreditará que o mundo tem obrigação de lhe dar tudo o que deseja.
2- Quando ele disser nomes feios, ache graça, isso o fará considerar-se importante e desconsiderar aos demais desde pequeno.
3- Nunca lhe dê orientação religiosa, espere até que tenha 21 anos e decida por si mesmo, a sociedade há de auxiliá-lo, mesmo que ele se torne um fanático e seja explorado financeiramente.
4- Apanhe tudo o que ele deixar jogado (roupas, livros, comida), faça tudo para que ele aprenda a jogar a responsabilidade dele sobre os outros.
5- Discuta com freqüência na frente dele, principalmente nos 7 primeiros anos, assim ele não ficará chocado quando o lar dele se desfizer mais tarde.
6- De-lhe todo o dinheiro que ele quiser, nunca o deixe ganhar seu próprio dinheiro, assim você o poupa de passar pelas mesmas dificuldades que você passou, mesmo quando ele acabar com todo o patrimônio dele.
7- Satisfaça todos os seus desejos de comida, bebida, conforto, afinal isto poderia acarretar frustrações prejudiciais, mesmo que ele fique obeso, com problemas na coluna, visuais, tendências homossexuais por hormônios na alimentação.
8- Tome o partido dele contra os vizinhos, professores, policiais, afinal ninguém tem o direito de educar seu filho, só a TV e a empregada.
9- Não o oriente quanto as amizades, mesmo que os parentes lhe avisem que parecem traficantes, e quando ele se meter em encrenca séria, dê a desculpa que nuca conseguiu dominá-lo.
10- Quando estiver em profundo desgosto com a vida, console-se, diga que é o seu destino e o dele, que Deus quis assim...
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Vivemos sob uma idéia (má idéia) de que a pobreza gera deliquencia. Ideia esta sustentada por uma midia comprometida em arrecadar milhões pra apresentar a solução à este problema social (vide Criança Esperança, Instituto Ressoar...). Não seja alienado! Acreditar que cada criança favelada é um bandido em potencial, é mentira. Já atuei intensamente em favelas através destes projetos sociais. Convivo com pessoas de classe média alta todos os dias. Tem gente boa e "espertalhões" em todos os lugares. A ideia de que um hiperconsumo de informação, superconforto, nenhuma privação na vida, resulte em individuos bem educados tb é mentirosa. Valores morais não dependem de valor monetário. Quero muito ser mãe. Tenho me planejado pra isso. Confesso que a responsabilidade pesa, as vezes, e desencoraja. Me assusta ver mães e pais colocando filhos no mundo e os criando de qualquer jeito. E eu não estou falando de filhos não planejados e nem de falta de dinheiro. Estou falando de valores não arrumados, mal firmados. Conheço pessoas que não planejaram a maternidade, tiveram filhos e abraçaram de imediato a responsabilidade de prepará-los pra vida com o que eles realmente precisariam carregar, que são os bons valores morais, éticos e religiosos (além de um bom estudo, é claro!). Conheço pessoas que planejaram, tiveram filhos, deram a eles TUDO o que o dinheiro poderia comprar em certa situação, mas os deixaram perdidos; vc olha pros filhos e não vê o coração dos pais (e nem o deles). Eu queria muito conseguir criar meus filhos de modo que vcs me vissem neles (mais do que na semelhança fisica). Quero ter tempo de educá-los, de estar com eles, de conviver. Quero não precisar compensar minha ausência com presentes fora de data e hora. Que eles tenham boas referências em casa. Que saiam pra vida preparados (eu disse preparados e não prontos). Que tenham um olhar doce sobre as coisas, sem deixar de criticá-las. Enfim, eu quero muitas outras coisas que não cabem à esta lista, mas acho um bom exercicio pensar onde quero chegar, pra conseguir planejar como fazê-lo. Eles não se criam sozinhos, acredite! rs. E nem estarão prontos por obra do acaso. Algo precisa ser feito e com certeza eu não vou negligenciar e nem terceirizar isto.
Sucesso a todos, nesta empreitada!
Beijo grande.
quinta-feira, 4 de novembro de 2010
Amigo, Um Ensaio
Já usei muito este texto na vida. Tempos outros, em que eu acreditava em tantas coisas outras.
Há muito não sou tão doce assim. Esperançosa nas minhas relações de amizade. Exposta, aberta, frágil. Nem considero este, um estado permanente de sentir assim. Mas é como me abro hj pra vida. É um texto bobo, que fala de amizade, de uma maneira tb boba. As coisas não são tão simples, poéticas e bonitas assim, na vida real. Na vida real, o bicho pega e ninguém vê. E os amigos precisam de muito mais do que textos bonitos. Mas acho que hj estou boba. E assim quero estar.
Então, em nome dos velhos tempos...
Aos meus! Sempre queridos!
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Amigo, Um Ensaio
(Marcelo Batalha)
Difícil querer definir amigo.
Amigo é quem te dá um pedacinho do chão, quando é de terra firme que você precisa, ou um pedacinho do céu, se é o sonho que te faz falta.
Amigo é mais que ombro amigo, é mão estendida, mente aberta, coração pulsante, costas largas.
É quem tentou e fez, e não tem o egoísmo de não querer compartilhar o que aprendeu.
É aquele que cede e não espera retorno, porque sabe que o ato de compartilhar um instante qualquer contigo já o realimenta, satisfaz.
É quem já sentiu ou um dia vai sentir o mesmo que você.
É a compreensão para o seu cansaço e a insatisfação para a sua reticência.
É aquele que entende seu desejo de voar, de sumir devagar, a angústia pela compreensão dos acontecimentos, a sede pelo "por vir".
É ao mesmo tempo espelho que te reflete, e óleo derramado sobre suas águas agitadas.
É quem fica enfurecido por enxergar seu erro, querer tanto o seu bem e saber que a perfeição é utopia. É o sol que seca suas lágrimas, é a polpa que adocica ainda mais seu sorriso.
Amigo é aquele que toca na sua ferida numa mesa de chopp, acompanha suas vitórias, faz piada amenizando problemas.
É quem tem medo, dor, náusea, cólica, gozo, igualzinho a você. É quem sabe que viver é ter história pra contar.
É quem sorri pra você sem motivo aparente, é quem sofre com seu sofrimento,
é o padrinho filosófico dos seus filhos.
é o padrinho filosófico dos seus filhos.
É o achar daquilo que você nem sabia que buscava.
Amigo é aquele que te lê em cartas esperadas ou não, pequenos bilhetes em sala de aula, mensagens eletrônicas emocionadas.
É aquele que te ouve ao telefone mesmo quando a ligação é caótica, com o mesmo prazer e atenção que teria se tivesse olhando em seus olhos.
Amigo é multimídia.
Olhos... amigo é quem fala e ouve com o olhar, o seu e o dele em sintonia telepática.
É aquele que percebe em seus olhos seus desejos, seus disfarces, alegria, medo.
É aquele que aguarda pacientemente e se entusiasma quando vê surgir aquele tão esperado brilho no seu olhar, e é quem tem uma palavra sob medida quando estes mesmos olhos estão amplificando tristeza interior.
É lua nova, é a estrela mais brilhante, é luz que se renova a cada instante, com múltiplas e inesperadas cores que cabem todas na sua íris.
Amigo é aquele que te diz "eu te amo", sem qualquer medo de má interpretação.
Amigo é quem te ama "e ponto". É verdade e razão, sonho e sentimento.
Amigo é pra sempre, mesmo que o sempre não exista.
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quarta-feira, 3 de novembro de 2010
Canção das Mulheres - Lya Luft
Canção das mulheres
(Lya Luft)*
Que o outro saiba quando estou com medo, e me tome nos braços sem fazer perguntas demais.
Que o outro note quando preciso de silêncio e não vá embora batendo a porta, mas entenda que não o amarei menos porque estou quieta.
Que o outro aceite que me preocupo com ele e não se irrite com minha solicitude, e se ela for excessiva saiba me dizer isso com delicadeza ou bom humor.
Que o outro perceba minha fragilidade e não ria de mim, nem se aproveite disso.
Que se eu faço uma bobagem o outro goste um pouco mais de mim, porque também preciso poder fazer tolices tantas vezes.
Que se estou apenas cansada o outro não pense logo que estou nervosa, ou doente, ou agressiva, nem diga que reclamo demais.
Que o outro sinta quanto me dói a idéia da perda, e ouse ficar comigo um pouco - em lugar de voltar logo à sua vida.
Que se estou numa fase ruim o outro seja meu cúmplice, mas sem fazer alarde nem dizendo ''Olha que estou tendo muita paciência com você!''
Que quando sem querer eu digo uma coisa bem inadequada diante de mais pessoas, o outro não me exponha nem me ridicularize.
Que se eventualmente perco a paciência, perco a graça e perco a compostura, o outro ainda assim me ache linda e me admire.
Que o outro não me considere sempre disponível, sempre necessariamente compreensiva, mas me aceite quando não estou podendo ser nada disso.
Que, finalmente, o outro entenda que mesmo se às vezes me esforço, não sou, nem devo ser, a mulher-maravilha, mas apenas uma pessoa: vulnerável e forte, incapaz e gloriosa, assustada e audaciosa - uma mulher.
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*Lya Fett Luft (Santa Cruz do Sul, 15 de setembro de 1938) é uma romancista, poetisa e tradutora brasileira. É também professora universitária e colunista da revista semanal Veja. Iniciou sua vida literária na década de 1960, como tradutora de literaturas em alemão e inglês. Luft já traduziu para o português mais de cem livros. Entre esses, destacam-se traduções de Virginia Wolf, Rainer Maria Rilke, Hermann Hesse, Doris Lessing, Günter Grass, Botho Strauss e Thomas Mann. Formada em letras anglo-germânicas, Lya tem mestrados em literatura brasileira e linguística aplicada pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).
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*Lya Fett Luft (Santa Cruz do Sul, 15 de setembro de 1938) é uma romancista, poetisa e tradutora brasileira. É também professora universitária e colunista da revista semanal Veja. Iniciou sua vida literária na década de 1960, como tradutora de literaturas em alemão e inglês. Luft já traduziu para o português mais de cem livros. Entre esses, destacam-se traduções de Virginia Wolf, Rainer Maria Rilke, Hermann Hesse, Doris Lessing, Günter Grass, Botho Strauss e Thomas Mann. Formada em letras anglo-germânicas, Lya tem mestrados em literatura brasileira e linguística aplicada pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).
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