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segunda-feira, 9 de agosto de 2010

O Peso e a Leveza


"O fardo mais pesado esmaga-nos, verga-nos, comprime-nos contra o solo. Mas, na poesia amorosa de todos os séculos, a mulher sempre desejou receber o fardo do corpo masculino. Portanto, o fardo mais pesado é também, ao mesmo tempo, a  imagem do momento mais intenso de realização de uma vida. Quanto mais pesado for o fardo, mais próxima da terra se encontra a nossa vida e mais real e verdadeira é. Em contrapartida, a ausência total de fardo faz com que o ser humano se torne mais leve do que o ar, fá-lo voar, afastar-se da terra, do ser terrestre, torna-o semi-real e os seus movimentos tão livres quanto insignificantes."

("A Insustentável Leveza do Ser", Kundera)

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Ser pesado nem é bom, nem fácil. Mas há um risco em sermos leves demais: nos tornarmos não-reais, ou seja, nos perdermos de nós mesmos.
Pense nisso.

Boa semana.
Beijo grande.

Conversando com o Pai

Ainda sob os efeitos do Dia dos Pais... uma breve reflexão sobre Deus e este meu relacionamento com o Eterno.


- Pai?
- Pode falar, estou ouvindo.
- Obrigada por sonhar comigo e me "fazer acontecer" nos Teus projetos, antes mesmo que houvesse dia. Obrigada por preparar o mundo para que eu pudesse estar nele. Obrigada por me alimentar, cuidar, ninar, limpar... quando eu ainda não sabia fazê-lo. Obrigada por velar o meu sono e me acalmar em meio aos pesadelos. Obrigada por me ensinar a andar sozinha, mesmo sabendo que estes mesmos pés poderiam me levar para longe de Ti. Obrigada por me deixar cair de vez em quando, para experimentar a dor e conhecer a importância de alinhar os meus passos. Obrigada por me oferecer alimento sólido segundo minhas condições de digeri-lo. Obrigada por me fazer crescer em meio ao Teu duro silêncio. Obrigada por me fazer forte e segura. Obrigada por me fazer Tua, e me revelar assim, diante dos céus e da terra. Teu amor me faz andar confiante. Obrigada por acolher meus mais intimos segredos, sem nenhum tipo de julgamento. Obrigada por conhecer minhas fraquezas, meus monstrinhos interiores, meu espinho na carne, e continuar me amando. Obrigada por me livrar de caminhos de morte, mesmo quando eu insisto em segui-los. Obrigada por me dar abrigo quando, mesmo já crescida (em Ti), me sinto com medo e frágil como quando ainda menina. Como é bom saber que mesmo tendo crescido (na fé) eu posso buscar o Teu colo, sem medo de parecer ridícula. Obrigada pelo peso do Teu amor, que em mim gera arrependimento (o peso que não me deixa ser tão leve a ponto de flutuar e me perder, que me faz voltar à realidade, que me traz sobriedade). Obrigada por falar comigo, por se manifestar pela boca de outros, me dando a certeza de que não És uma criação da minha mente imaginativa. Obrigada por me oferecer novas chances, dias novos, páginas em branco, desconsiderando os mau-passos que porventura eu tenha dado nas páginas anteriores. Obrigada pela Tua proteção. Obrigada pela Tua proteção. (preciso repetir mais uma vez) Obrigada pela Tua proteção. Obrigada por seu meu Pai, e por ter me ensinado o significado disto. Obrigada Pai. Obrigada. Hoje, já crescida, precisava te dizer que continuo carecendo da Tua misericórdia e da Tua longanimidade, porque sou inadequada, e muitas vezes noviça (e nociva), nesta minha aventura de viver. Clamo pela Tua Paciência, Senhor! É a primeira vez que tenho esta idade e a primeira vez que enfrento dias como estes. Por favor, tenha paciência comigo. Continue me ensinando. Eu quero continuar aprendendo. Continue cuidando de mim, pois por vezes sou tola e me arrisco à beira de precipícios. Cuida de mim, Pai. Cuida de mim.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Nunca se Leve tão a Sério


"Tudo se vive imediatamente pela primeira vez sem preparação. 
Como se um ator entrasse em cena sem nunca ter ensaiado."
("A Insustentável Leveza do Ser", Kundera)

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[nunca se leve tão a sério]
Bom fim de semana.
Beijo em todos.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

O Porquê da Vida por Larissa Desiderio


O Porquê da Vida
(Larissa Desiderio)

Toda criança, depois que começa a falar e se deparar com a realidade, com o mundo em que vive, reage a esta ação de uma forma engraçada; através da INDAGAÇÃO.

A partir daí começam as mais hilárias e difíceis perguntas. Como nascemos? Por que o céu é azul? Por que o mar é salgado? Por que os pássaros voam? Por que os cachorros latem? Por que o peixe não fecha os olhos? Por que eu não posso comer isso? Por que isso faz mal? Por que tem que tomar remédio? Por que os bichinhos morrem? Por que os nossos avós não vivem pra sempre? Por que existem homens maus? Por que os super-heróis não são de verdade? Por que eu não posso voar? 
Por que, mamãe?

Lendo a todas estas perguntas, percebemos que a criança mesmo na imaturidade natural desta fase consegue racionalizar que as coisas acontecem de alguma forma, e por algum motivo, e começam a se dar conta de que o mundo é diferente, porque é de verdade.

Vou fazer 22 anos, porém me vejo entre as mesmas indagações de uma criança. Continuo, depois de tanto anos, a me perguntar o “Por quê” de certas coisas.

Por que o viver é complicado se pode ser simples? Por que fazemos o que não queremos ou não gostamos se só vivemos uma vez? Por que tantos entram em depressão se a felicidade é de graça e os antidepressivos não? Por que é tão difícil ver a família como uma benção e não como um fardo? Por que, depois de velhos, homens e mulheres agem com mais imaturidade do que quando eram criança? Por que os injustos sempre enriquecem? Por que sabemos o que é certo e fazemos o errado? Por que levamos a vida como se ela fosse uma coisa normal e não uma dádiva de Deus, e o fato de ser passageira fosse uma mera coincidência? Por que pessoas boas morrem e pessoas más matam? Por que muitos acreditam que após a vida não há mais nada? 
Por que existem obesos na América do Norte e subnutridos na África?

Por que para poucos há muito e para muitos há pouco, quem foi que escolheu quem deveria ganhar o quê? Por que roubar, se trabalhar no que gostamos é tão prazeroso? Por que evitar amar se é o amor que nos dá a vontade de viver? Por que tornar tudo descartável? Por que comercializar sentimentos? Por que vender o próprio corpo? Por que não zelar pela vida? Por que não acreditar em Deus? Por que não lutar pra ser eu mesmo, e não mais um modelo artificial aceitando todas as imposições do mundo? Por que deixar pro amanhã o que podemos fazer hoje? 
Por quê? Por quê? Por quê?

Espero que você também se faça essas perguntas. E quando você não tiver vontade de se perguntar o “Por quê”, não se preocupe, 
pois ainda lhe resta se perguntar o “Por que não”?

Afinal, por que vivemos se não para indagar.

E se um dia eu não estiver me perguntando mais o “Por quê” de alguma coisa, é por que fui dessa pra uma melhor!

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Estreando mais uma categoria >>Parceiros<<
com uma linda e inquietante contribuição da querida Larissa Desiderio.
Espero que gostem.
(Lari, amei seu pensamento crítico e a clareza de que como o escreve. Parabéns!)

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Ernest Hemingway

"Somos todos aprendizes duma arte que nunca ninguém se torna mestre." 
(Ernest Hemingway)

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*Ernest Hemingway: escritor americano (1899-1961).

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Prazer por Rubem Alves


"Acho o prazer uma coisa divina. Para ele fomos feitos. O amor, o humor, a comida, a música, o brinquedo, a caminhada, a viagem, a vadiagem, a preguiça, a cama, o banho de cachoeira, o jardim - para estas coisas fomos feitos. Para isso trabalhamos e lutamos: para que o mundo seja um lugar de delícias. Pois esse, somente esse, é o sentido do Paraíso: o lugar onde o corpo experimenta o prazer."
("Teologia do Cotidiano", Rubem Alves)

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Pecado por Ed René Kivitz


"Pecado é uma opção pela auto-suficiência que gera em nós uma ilusão de potência e faz-nos desperdiçar recursos como se fossem inesgotáveis, fazendo-nos descer a ladeira até a desumanização. Pecado anestesia. Pecado ilude. Pecado drena. Pecado bestializa. Pecado desumaniza."
(Ed René Kivitz)

Quem somos nós, senão pó, sopro, vento e algum espirito? Tolos. Somos tolos. Fantasiamos ser mais do que realmente somos. Acreditamos ser o que de nós aparece na fotografia (coitado do não-fotogênico!), no espelho...

Não somos tão poderosos assim. E perdemos a beleza de não o sermos. O legal é ser humano. É bem mais fácil reconhecer limitações, instintos primitivos, desejos proibidos, espinhos na carne. E continuar vivendo. Reconhecer e continuar sobriamente nos amando. Reconhecer e entregar ao que é Santo, Maior e Poderoso; pedir força, buscar misericordia. E humanizar-se. Reconhecer e escolher, que também é habilidade própria do humano. A auto-suficiência nos afasta de Deus (como todo pecado). Nos afasta do privilegio de sermos humanos diante do Eterno, porque assim fomos criados por Ele. Se assim não O quisesse, teria nos feito anjos. Mas nos fez humanos. Tem algo de mais especial nisto do que (talvez) em sermos "santos" (enquanto cínicos).


Boa semana às pessoas de verdade.
Beijo em todos.